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SFS2026

SECOLI FASHION SHOW 2026 | SPAZI MENTALI

Criar uma ideia atravessando um percurso que vai do pensamento concreto ao abstrato, para depois retornar à realidade transformada pela experiência. É um processo criativo de interpretação e experimentação que gera um espaço vivo, capaz de guardar passado, presente e futuro: um espaço de expressão, ação e liberdade, entendido não apenas como método, mas como atitude mental.

Este percurso conduz ao “pensamento divergente”, definido pelo psicólogo estadunidense J. P. Guilford: uma dimensão fundamental da criatividade que explora múltiplas possibilidades e gera soluções inovadoras aplicando o “Design Thinking”, uma abordagem que constrói e desconstrói, supera esquemas e valoriza o significado emocional como chave para interpretar a inovação. Nesta visão, a criação não se torna apenas objeto, mas processo, gesto, intenção, transformação.


EXPERIMENTAÇÃO CONCEITUAL

O consumo é ininterrupto e a superfície se transforma em um lugar caracterizado por uma metamorfose incessante. Desta transformação aflora uma nova forma que pede para ser observada em sua essência, revelando seu rastro. A experimentação nasce da reavaliação: o que foi retirado se recompõe em uma nova ordem, assumindo um significado inesperado. Da tensão nasce uma fratura entre o olho e a percepção: o que se vê não coincide mais com o que se acreditava saber e, nesta distância, o significado se renova.

Dar forma não é apenas a modelagem de um objeto, mas tornar visível o tempo que o atravessou, o consumo que o transformou, a relação que o torna vivo.



Experimentação Ética

A experimentação ética nasce do desejo de superar o que a sociedade já considera correto, apresentando-se como um gesto que questiona valores consolidados para propor novos, mais autênticos, e demonstrando seu equilíbrio subversível. Quem experimenta eticamente escolhe contrapor-se à estabilidade, tornando-a significativa. O objetivo é sacudir as consciências e olhar além, em direção a um ideal de beleza mais livre, realizando um ato de verificação radical. Através da provocação, a superação do limite torna-se um instrumento crítico, revelando que a ética viva é feita de questionamentos contínuos. Ao final do processo, o que resta é uma nova consciência: a arte torna-se um instrumento essencial para compreender o homem e a sociedade.



experimentação MATÉRICA

Constante mudança da realidade e da matéria em um equilíbrio dinâmico. A matéria revela-se viva, pulsante: um campo vibracional caracterizado pela ritmicidade, representando a própria essência do mundo material. O campo vibracional apresenta-se como um espaço enérgico, dimensão sutil da própria matéria, invisível mas real, onde reside uma área fértil e intermediária, o interstício em que tudo pode acontecer e onde se geram possibilidades e potencialidades, revelando sua natureza imprevisível.

É aqui que nasce a função de espelho da nova matéria, capaz de refletir uma percepção transformada.



experimentação performática

Realizar uma ação capaz de dar forma, plasmar e modelar o real. Hoje, o ato performático não produz realidade, ele a simula, repetindo-a até torná-la saturada, estéril, desprovida de consequências. Vivemos imersos em uma encenação ininterrupta que não abre possibilidades, mas as consome. O ato performático não incide mais sobre o real; cada emoção é filtrada, destilada, refinada até se tornar pura forma. Um rito de resignação que se transforma em um ato de renascimento, tornando-se lugar de experimentação, experiência concreta do possível. Somente assim a performance volta a ser um gesto essencial, capaz de recuperar sua força originária.



EXPERIMENTAÇÃO SOCIAL

As sociedades do limiar são coletividades que vivem suspensas entre uma ordem passada e uma nova configuração indefinida. É o limiar coletivo que projeta o indivíduo em um estado de não-lugar, não-identidade: aqui o sujeito é forçado a se redefinir. A perda não é ausência, mas um campo de infinitas configurações sociais passíveis de desenvolvimento: a pessoa é parte integrante de um sistema no qual o sentido é construído coletivamente. As comunidades diaspóricas tornam-se laboratórios de experimentação social, dos quais emergem novas formas de comunicar: o social assume a capacidade de se renovar, mantendo-se adaptativo, vivo; a perda transforma-se em força generativa coletiva.



EXPERIMENTAÇÃO VISUAL

O espaço onde o ver se torna pensar e o pensar se faz gesto: um lugar que pensa, respira, se preenche e se esvazia, colhe vozes, corpos e silêncios que se imprimem na memória como signos vivos. O olhar atravessa, toca, constrói; a mente olha, compreende, reformula e olha novamente, cada vez de uma forma diferente. É nesse contínuo atravessamento que a visão se torna pensamento e o pensamento ganha forma. As visões se multiplicam, se contaminam, se entrelaçam. Cada olho constrói sua própria realidade e, nesta multiplicidade, cada percepção é uma criação. Pensar com o olhar significa deixar que a mente atravesse a visão. Em seu movimento, a realidade se fragmenta e se recompõe, a percepção torna-se experiência.

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