SECOLI FASHION SHOW 2025 | ESPAÇOS MENTAIS
Criar uma ideia percorrendo um caminho que vai do pensamento concreto ao abstrato, para depois retornar à realidade transformada pela experiência. Trata-se de um processo criativo de interpretação e experimentação que gera um espaço vivo, capaz de abrigar o passado, o presente e o futuro: um espaço de expressão, ação e liberdade, entendido não apenas como método, mas como atitude mental.
Esse percurso conduz ao “pensamento divergente”, definido pelo psicólogo norte-americano J. P. Guilford: uma dimensão fundamental da criatividade que explora múltiplas possibilidades e gera soluções inovadoras aplicando o “Design Thinking”, uma abordagem que constrói e desconstrói, supera os esquemas e valoriza o significado emocional como chave para interpretar a inovação. Nessa visão, a criação não se torna apenas objeto, mas processo, gesto, intenção, transformação.
EXPERIMENTAÇÃO CONCEITUAL
O desgaste é contínuo e a superfície transforma-se num espaço marcado por uma metamorfose incessante. Dessa transformação surge uma nova forma que pede para ser observada em sua essência, revelando seu traço. A experimentação nasce da reavaliação: o que foi removido recompõe-se numa nova ordem, assumindo um significado inesperado. Da tensão surge uma fratura entre o olho e a percepção: o que se vê não coincide mais com o que se acreditava saber e, nessa distância, o significado se renova.
Dar forma não é apenas modelar um objeto, mas tornar visível o tempo que o atravessou, o consumo que o transformou, a relação que o torna vivo.
EXPERIMENTAÇÃO ÉTICA
A experimentação ética surge do desejo de superar o que a sociedade já considera correto, apresentando-se como um gesto que questiona valores consolidados para propor novos, mais autênticos, e demonstrando que seu equilíbrio pode ser subvertido. Quem experimenta eticamente opta por se opor à estabilidade, conferindo-lhe significado. O objetivo é sacudir as consciências e olhar além, em direção a um ideal de beleza mais livre, realizando um ato de verificação radical. Por meio da provocação, a superação do limite torna-se um instrumento crítico, revelando que a ética viva é feita de questionamentos contínuos. Ao final do processo, o que permanece é uma nova consciência: a arte torna-se um instrumento essencial para compreender o homem e a sociedade.
EXPERIMENTAÇÃO MATERIAL
Mudança constante da realidade e da matéria em um equilíbrio dinâmico. A matéria se revela viva, pulsante: um campo vibracional caracterizado pela ritmicidade, representando a própria essência do mundo material. O campo vibracional se apresenta como um espaço energético, uma dimensão sutil da própria matéria, invisível mas real, na qual reside uma área fértil e intermediária, o interstício onde tudo pode acontecer e onde se geram possibilidades e potencialidades, revelando sua natureza imprevisível.
É aqui que nasce a função espelho da nova matéria, capaz de refletir uma percepção transformada.
EXPERIMENTAÇÃO PERFORMÁTICA
Realizar uma ação capaz de dar forma, moldar, modelar o real. Hoje, o ato performático não produz a realidade, simula-a, repetindo-a até torná-la saturada, estéril, desprovida de consequências. Vivemos imersos em uma encenação ininterrupta que não abre possibilidades, mas as consome. O ato performativo não incide mais sobre o real; cada emoção é filtrada, destilada, refinada até se tornar pura forma. Um ritual de resignação que se transforma em um ato de renascimento, tornando-se um espaço de experimentação, uma experiência concreta do possível. Só assim a performance volta a ser um gesto essencial, capaz de recuperar sua força originária.
EXPERIMENTAÇÃO SOCIAL
As sociedades liminares são coletividades que vivem suspensas entre uma ordem passada e uma nova configuração indefinida. É o limiar coletivo que projeta o indivíduo em um estado de não-lugar, de não-identidade: aqui, o sujeito é obrigado a se redefinir. A perda não é ausência, mas um campo de infinitas configurações sociais que podem ser desenvolvidas: a pessoa é parte integrante de um sistema no qual o sentido é construído coletivamente. As comunidades da diáspora tornam-se laboratórios de experimentação social, dos quais emergem novas formas de comunicação: o social assume a capacidade de se renovar, mantendo-se adaptável, vivo; a perda transforma-se em força geradora coletiva.
EXPERIMENTAÇÃO VISUAL
O espaço onde o ver se transforma em pensar e o pensar se torna gesto: um lugar que pensa, respira, se enche e se esvazia, recolhe vozes, corpos e silêncios que se imprimem na memória como sinais vivos. O olhar atravessa, toca, constrói; a mente observa, compreende, reformula e volta a observar, cada vez de maneira diferente. É nessa travessia contínua que a visão se torna pensamento e o pensamento toma forma. As visões se multiplicam, se contaminam, se entrelaçam. Cada olho constrói sua própria realidade e, nessa multiplicidade, cada percepção é uma criação. Pensar com o olhar significa deixar que a mente atravesse a visão. Em seu movimento, a realidade se fragmenta e se recompõe, a percepção se torna experiência.